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Mensagem do Presidente
 

O ano de 2009 foi marcado pela recessão económica global, materializada numa redução do PIB mundial estimada em 3%. O mundo está a atravessar a primeira crise económica à escala mundial (naturalmente com impactos distintos nas várias regiões ou países do globo). Estamos assim, perante a maior crise das últimas décadas, agravada por ter tido a sua origem no sistema financeiro internacional, motor de todo o desenvolvimento económico.

 Ao clima de confiança, desenvolvimento e crescimento económico que se viveu até ao final do primeiro semestre de 2008, sucedeu abruptamente um clima crescente de pessimismo, com níveis de desemprego e de retracção no investimento inimagináveis. Este clima de recessão teve especial impacto na Península Ibérica, afectando assim o nosso mercado natural de forma particularmente sensível.

 

A estratégia iniciada pelo Grupo Cabelte em 2007, de aposta na diversificação de mercados, revelou-se altamente compensadora num período tão difícil como aquele que vivemos. Esta estratégia traduz-se numa presença crescente em mercados importantes a nível europeu, nomeadamente no francês e no nórdico, numa aposta clara em África e na América do Sul, associada à estratégia de portfólio alargado de produtos, tais como cabos de energia em cobre e alumínio, baixa, média e alta tensão, telecomunicações em cobre e fibra óptica, produção autónoma de fibra óptica, fios condutores para a indústria automóvel, cabos para usos especiais - metro, aeroportos, centrais eólicas, petroquímica, etc., e acessórios.

 

Não podemos deixar de realçar pela negativa uma clara redução da actividade no mercado espanhol ao nível dos cabos de energia de baixa tensão, normalmente utilizados na construção civil, sector que teve uma enorme recessão no país vizinho, como também a diminuição da procura de fios condutores para a indústria automóvel e a retracção associada à diminuição da venda de bens de consumo (electrodomésticos), como é o caso dos cordões com ficha eléctrica fundida.

 

No entanto, em contra-ciclo, mantivemos uma presença muitíssimo forte nas actividades ligadas ao sector das telecomunicações em cobre e particularmente em fibra óptica, tendo estabelecido um protocolo de colaboração com a Portugal Telecom para implementação do importante projecto de FTTH (fiber to the home), que se iniciou em 2008 e que continuará ainda nos próximos anos, com a instalação de fibra em cerca de um milhão de casas.

 

Também no domínio dos cabos de média e alta tensão o Grupo manteve uma apreciável actividade em 2009, contando aqui com a importância dos seus principais clientes Ibéricos – utilities – do sector da energia, que mantiveram os seus planos estratégicos de desenvolvimento e investimento.

 

O valor de vendas consolidadas do Grupo Cabelte em 2009 foi também muito influenciado negativamente pela cotação muito baixa do cobre e do alumínio, em particular no primeiro semestre. Esta redução do preço das principais matérias-primas teve um impacto no volume de negócios do Grupo de cerca de 50 milhões de euros.

 

A nível interno o Grupo concretizou em 2009 um conjunto de decisões tomadas no exercício anterior que passam pela implementação de investimentos estratégicos, que visam aumentar a capacidade industrial do Grupo potenciando sinergias pela reorganização industrial e que permitirão robustecer a conta de exploração através da obtenção de um maior valor acrescentado. Assim, referimos os investimentos mais relevantes:

                

- O arranque em Setembro de 2009 da nova unidade de produção, localizada em Ribeirão (Famalicão), CABELTE BT, onde foi concentrado o fabrico de fios e cabos domésticos de todo o Grupo. Esta unidade de produção, com cerca de 15.000 m2 cobertos, permitiu aumentar a capacidade de produção do Grupo neste segmento e concomitantemente absorver um maior valor acrescentado, conseguido através das sinergias a retirar pela concentração optimizada desta actividade numa só unidade de produção, em vez das três existentes à altura da decisão.

 

- O arranque efectivo de duas novas unidades de produção, a CABELTE RECICLYNG, no início do ano, e a CABELTE METALS, no início do segundo semestre, que visam proceder ao tratamento e recuperação de todos os desperdícios industriais do Grupo bem como permitir a verticalização da cadeia de produção e a autonomização da produção das matérias-primas essenciais - o varão de cobre. Estas duas participadas apresentaram já em 2009 resultados económicos muito encorajadores e claramente positivos, contribuindo para os resultados consolidados globais.

 

- Ao nível comercial constituímos a CABELTE MOÇAMBIQUE, que iniciou já a sua actividade. Está numa fase adiantada a constituição a CABELTE ANGOLA e o estudo de implantação da CABELTE LÍBIA, investimentos que se prevê possam avançar no decurso de 2010.

 

Em balanço muito sintético, não podemos deixar de realçar a flexibilidade do Grupo (nomeadamente a sua rápida adaptação da estrutura de custos) que permitiu o alcance de Resultados Líquidos positivos em praticamente todas as empresas industriais e de Resultados Líquidos Consolidados Totais positivos na ordem dos 1.359 mil Euros e o Rácio EBITDA/Vendas de 8,3%, valores que consideramos relevantes e animadores, dado que obtidos num ano de particulares dificuldades globais.

 

A previsão orçamental realizada para 2010 aponta para expectativas cautelosas mas claramente positivas, não se prevendo, no entanto, que 2010 seja o ano de clara saída para a tão repetidamente denominada “crise global”.

 

O orçamento do Grupo assenta em princípios de grande contenção de custos, de produtividade e rendibilidade industrial, investimentos moderados e muito seleccionados que permitam o aumento de valor na cadeia de produção, e apostem na abordagem a novos mercados e a novos clientes, tendo em vista compensar as quebras verificadas nos clientes e mercados tradicionais.

 

Só os melhores se conseguirão afirmar e só os que anteciparem pró-activamente as dificuldades e as expectativas dos clientes serão capazes de sobreviver e ultrapassar os desafios dos próximos anos.

 

O nosso foco no cliente deverá acentuar-se e a organização deverá convergir para esse objectivo, não perdendo nunca de vista o nosso equilíbrio financeiro, a nossa capacidade de honrar compromissos e, no fundo, a rentabilidade das operações.

 

Não esquecemos nunca que parte do sucesso de uma empresa passa pelo nível de excelência dos seus recursos humanos e honramo-nos de no Grupo Cabelte, na sua generalidade, o termos. Não podemos perder a ambição de sermos ainda melhores.

 

Aos nossos queridos e bons colaboradores queria agradecer a dedicação e postura atenta, pois só com um elevado empenhamento e espírito de equipa de todos, seremos capazes de vencer.

 

Aos nossos restantes stakeholders (fornecedores, clientes e bancos) uma palavra de apreço pela fidelidade e apoio com que nos têm distinguido. Temos de manter e mesmo reforçar a solidariedade necessária para que, em conjunto e num contexto de parceria, possamos ultrapassar o círculo negativo e consequente momento difícil que o enquadramento económico que nos rodeia nos impõe.

 

Acreditamos no futuro do Grupo Cabelte e estamos seguros que com ambição e muita dedicação seremos mais fortes.

 

 

Por tudo, bem-haja.

 

  

Tiago Neiva de Oliveira

 

 

 

 

Tiago Neiva de Oliveira
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